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Crónica de um louco sentimental - Porquinho mealheiro

autoria de Bruno C. da Cruz, em 18.05.05

 

Parti o meu porquinho mealheiro para te comprar a prenda perfeita. Contei tostão por tostão e vi que com aquele dinheiro a perfeição não estava ao meu alcance. Apercebi-me então que a prenda ideal seria o amor que sinto por ti, afinal quando se ama não se sente a falta de nada mais! Tu olhaste para mim e choraste por não ver nenhum embrulho. Não percebeste que o amor estava embrulhado em mim e choraste mais. Quando te contei que a tua prenda era o meu amor tu disseste que era pouco e foste embora!

Fiquei sem ti e sem o meu porquinho mealheiro, e embora porquinhos existam muitos e como tu não haja mais ninguém, fiquei com mais pena de ter partido o porquinho do que te ter perdido a ti! É que o porquinho era como eu, guardava um tesouro dentro de si, ainda que eu, tal como tu, achasse que era pouco… E tu, bem, tu és oca, não guardas nada dentro de ti. Se alguém te partisse, o que veria? Nada!

Tal como eu parti o porquinho e não dei valor ao seu tesouro, tu partiste-me a mim sem dares valor ao meu amor. Como eu me arrependi de o ter partido, mesmo sabendo que era tarde para arrependimentos, também espero que um dia te arrependas e, tal como eu, passes a dar mais valor ao que cada um guarda no seu interior sem teres de o partir… É que mesmo podendo colar caco por caco, nada nem ninguém volta ser igual! Vão lá estar sempre as marcas a servir de lembrança!

O porquinho ficou sem poder guardar moedas e eu fiquei sem ter a quem dar o meu amor, mas não importa… Oxalá um dia alguém te utilize para seu porquinho mealheiro, te parta e te abandone indiferente ao tesouro que descobriu!

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publicado às 00:01


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