
Tenho o destino Ou, talvez, deva cortar as mãos
escrito nas mãos…
Um dia vou riscá-lo
e escrever por cima
uma nova história
na qual entres tu.
Vou pegar numa faca
e cortar todas as linhas,
oferecendo-te depois
o meu novelo de má sorte.
e viver sem destino,
vagueando pela vida
ao sabor do meu querer…
Aqui está a prova! O mundo não é redondo! Ou melhor, o meu mundo não é redondo... O meu mundo tem esta forma! A forma de um coração...
Publiquei o post anterior e reparei que o blog anda a ficar muito "down". Vamos lá animar as coisas! De presente dou-vos um texto que escrevi já não me lembro bem quando, e que é uma história de amor que acaba bem! É um pouco grande mas vale a pena ler até ao fim (penso eu de que). Se não tiverem tempo leiam noutra altura! Mas não deixem de ler também o post anterior :p não façam batota!!!

Foi por ela. Sim, foi pela Maria Júlia que desperdicei anos da minha vida, numa espera constante, de que ela desistisse de ser cabeça dura e que eu deixasse de ser coração mole. Sempre que a via passar, os meus olhos arregalavam-se de tal forma como se aquela beleza toda fosse tão grande, ao ponto de não caber no meu campo de visão. O coração saltava descoordenado ao compasso de pensamentos com as notas trocadas. Mas essa melodia parecia-me tão convidativa que só a deixei de ouvir quando ganhei juízo.
A Maria Júlia, Marijú para os amigos e também para mim, nunca me deu bola ao ponto de eu me apaixonar por ela, mas também para que queria eu a bola? Eu queria-a mas era ela toda para mim, não só a bola dela! Mas continuando, nunca me deu esperanças nem nada do género, mas ela fazia o meu género e apaixonei-me! Um homem não é de ferro!
Conheci-a numa daquelas noites em que se sai para não sei onde, com não sei quem e volta-se não se sabe bem quando, com o hálito a tresandar a vodka, a cabeça aos estouros, e a mania das promessas, que são apenas um desabafo momentâneo, do género “Estou tão mal que é desta que vou parar de beber vodka.” Da última vez que fiz uma promessa dessas foi algo do tipo “Estou tão mal que nunca mais bebo whisky.”, e pronto nunca mais bebi whisky… Mudei para a vodka! Bem, mas a parte importante desta história é que conheci a Maria Júlia.
Estava eu a dançar com não sei quem, em não me lembro onde, quando alguém familiar, amigo suponho, me apresentou uma menina com ar de mulher. Ou seria uma mulher com ar de menina? Pronto não interessa, passemos à frente. Lembro-me que conversámos toda a noite e que dividimos muitas vodkas. Depois só me lembro de acordar com um gato a lamber-me os pés, e logo eu que não tenho gato! Senti o cheiro a café fresco, quando eu nem café tenho em casa! A minha cabeça correu a seguinte cadeia de pensamentos “Onde estou eu?”, “Que sofá duro.”, “Estou tão mal que vou parar de beber vodka.”, até que fui interrompido por uma voz que reflectia a ressaca matinal de alguém que passou a noite nos copos! “Mas onde estou eu?”.
Pois, aquele era o sofá da Maria Júlia. Aquela era a casa da Maria Júlia. Aquela era a voz, tão ou mais ressacada do que eu, da Maria Júlia. “Mas como vim cá parar?”. Eu não sei como mas ela também não. Só sei que fiquei muito sem jeito com aquela situação toda, mas ela lá deu um jeito de me acalmar e de me deixar à vontade naquele dia que estava a começar tarde, uma vez que já eram 15 horas, mas que se tornou num dos melhores dias da minha vida, porque o passei com a minha linda Maria Júlia. Não fizemos nada de mais, passamos o dia a conversar, ela falou sobre os problemas dela e eu sobre os meus. Não sei se foi efeito da vodka, mas acho que não porque isto já dura há alguns anos, mas a partir daquele dia a Maria Júlia trouxe luz e ocupou o quarto vazio que havia no meu coração, trouxe sol ao meu dia cinzento, e trouxe-me o vício pelo café.
A partir desse dia, encontrámo-nos várias vezes para tomar um cafezinho e conversar sobre tudo e nada. Num desses dias em que fomos tomar o nosso cafezinho e conversávamos sobre tudo e nada, resolvi contar-lhe o que sentia por ela. Custou mas ganhei coragem e aquilo saiu disparado sem pausas nem sinais de pontuação. Ela sorriu com aquele sorriso só dela e disse “Sabes, eu também gosto muito de ti… Mas não quero estragar a nossa amizade.”. Enfim conversa de gajas! Irra, mulher é um bicho complicado. Será que ela não pensa que se a relação está boa, poderia ficar muito melhor? Não entendo. Nunca mais falei com ela sobre esse assunto a partir desse dia, pois temo que ela esboce novamente aquele sorriso só dela e que me deixe outra vez fora de órbita.
Mas também nem foi preciso tocar mais no assunto… Diz-se que quem espera desespera mas também se diz que quem espera sempre alcança! Há bem pouco tempo quando estava eu disposto a curar-me da moleza do meu coração, a Maria Júlia resolveu curar-se da dureza da sua cabeça e declarou-se ali mesmo, no meio da Praça da Liberdade, com um monte de pombos famintos em volta. Não acreditei naquilo. Pensei que sonhava, ou que aquilo fossem os efeitos desconhecidos do sumo de laranja! Sim, eu agora bebo sumo de laranja, desde que prometi nunca mais beber finos. Mas afinal aquilo foi verdade e passados 5 anos de eterna espera para que a Maria Júlia mudasse de ideias, mais 5 anos de namoro e mais 2 de casados, contabilizando um total de 12 anos, agora sou feliz.
Agora eu e a Maria Júlia dividimos tudo… Um T3 na Foz, a cama, o sumo de laranja, o cão, a tartaruga, o microondas, o sofrimento, o sofá, a vida, o impensável! Só já não dividimos as vodkas… Desde aquela noite, em que o destino juntou duas vidas que, saíram de casa sem destino e que, só tinham em comum o copo de vodka.

Há horas, dias, semanas, meses, anos, em que devíamos cair num sono profundo para não termos de assistir ao pesadelo em que a nossa vida se pode transformar. Mas, como a única coisa que se pode fazer é viver nesse pesadelo, temos de aguentar. Podemos achar que não vamos aguentar, ter a certeza disso, mas o que é certo é que lá vamos vivendo o dia a dia e até acabamos por achar piada à sucessão da má sorte que temos. Torna-se divertido ver o que nos espera e ver que a cada passo o tombo é maior. E quando eu digo que se torna divertido, é apenas para não tornar tudo ainda mais dramático do que na realidade já é. Mas, como estava a dizer, o tombo é maior e então fica-se à espera que venha a derradeira hora em que cairemos no precipício.
Há quem diga, e muito bem, que problema atrai problema. Começa por ser uma coisa sem importância, à qual nem damos o devido valor, porque nos achamos capazes de resolver, e quando vemos que não é bem assim e abrimos os olhos para a realidade, acordamos no nosso pesadelo e as coisas começam a complicar-se… Perde-se a vontade de viver e ganha-se um oceano de presente para chorarmos e não nos resta mais nada a não ser gastar cada gota, sem medo de economizar, sem nos preocupar-mos com a conta de água… Se bem que às vezes gostava de saber quanto gasto em lágrimas, principalmente neste últimos tempos.
Com os problemas a aparecerem como melgas, só nos apetece ser, por exemplo, a vizinha do lado, que até tem um belo carro e anda sempre bem disposta. O sentimento de solidão e abandono cresce com cada problema… Tanta gente que nos rodeia mas ninguém com a salvação para o nosso caso…
Só resta esperar… Viver numa espera mesmo longa e dura, sem sabermos quando virá o nosso arco-íris, para pôr fim à nossa tempestade interior. Há quem reze e há quem já não acredite em poderes divinos e se sinta abandonado. A sensação, às vezes, é que todos os santinhos resolveram tirar férias na mesma altura… Ou pensamos então que já fizemos tantas asneiras que não merecemos sequer atenção e perdão lá do Patrão… Chegamos então à altura na qual me encontro… Sem achar nada e sem me achar a mim.
Imagem: "Lágrimas del alma" de Rudy Yunis
Vieste envergando uma estranha capa negra e espalhaste o sofrimento pelas ruas do meu corpo, dando assim asas ao teu nome. Saudade... sentimento típico do português que sente a falta de algo, de alguém. Saudade... triste forma de recordar o passado e forma, não mais alegre, de olhar de soslaio para um presente esburacado. Um presente que se perdeu nas memórias requentadas pela fúria incandescente de uma tristeza calada.
Saudade… Vieste sem ninguém te chamar e permaneces sem eu querer. Ao largo formaste tempestades e dentro de mim cultivaste um vazio que me rói as alegrias e cospe para longe os momentos de paz. Saudade que dói. Saudade que mata. Saudade de ti, que partiste. Saudade estúpida capaz de me fazer chorar e de me levar a amar-te ainda mais.
Estás longe e só tornas a mim através de um arquivo aberto e cheio de recordações. Não te quero recordar mais. Queria era devolver-te a vida para que pudesses construir melhor os pilares das tuas marcas agora exercidas sobre mim.
Mas a saudade não me permite ressuscitar-te.A saudade não permite mais nada a não ser lembrar-te. Saudade… Não pede licença… Entra com toda a força e arrasa com tudo. Saudade… Mete-se com toda a gente e desta vez meteu-se comigo.
P.S.: Este não sou eu. Esta dor não é minha. Não hoje. Não agora. Noutros tempos, talvez! Mas agora pouco importa... A saudade está morta!
Estava a ouvir uma música e quis partilhar com vocês a letra da mesma, até porque está relacionada de alguma forma com o post anterior. É uma música do albúm "67" da Lúcia Moniz. Costumo utilizar muito uma frase dessa letra: "Sou guerra e só procuro ter paz, e tu não me dás."Gosto muito desta menina e um dia hei-de conseguir fazer com que ela grave uma música com uma letra minha! Por isso já sabem, se a conhecerem falem de mim e do meu blog :p Sonhar só faz bem!
Sou como a noite
Viajo e sou vento no cabelo
Sou fogo sobre gelo
Sou tiro que parte num duelo final
Sou guerra e só procuro ter paz
e tu não me dás
Sou fera inflamável como o gás
Eu sou assim. Chego e desapareço cedo
eu sou a noite no espaço
ninguém me vê por onde eu passo
Eu parto e finjo que sou cruel
Espada de papel
Sou tinta e tu és pincél
fiél
Eu sou assim. Chego e desapareço cedo
eu sou a noite no espaço
ninguém me vê por onde eu passo
Sou o vento todo o ano
Estou aqui por engano
Sou um tiro num duelo
Sou a noite
Sou o vento
Eu sou assim. Chego e desapareço cedo
Eu tenho tudo e nunca desespero
Às vezes desço abaixo de zero
Sou guerra e só procuro ter paz
e tu não me dás
Sou fera inflamável como o gás
Letra: Pedro Campos
Música: Lúcia Moniz & Donovan Bettencourt
Podia dizer que te quero, mas não digo. Podia dizer que te amo, mas não quero. Podia dizer que estou bem, mas não consigo.
Devolve-me a paz que levaste contigo.
Estava aqui a folhear um dos meus livros de sempre - daqueles livros que nunca nos cansamos de ler e que apelidamos de "imortais" - e apeteceu-me partilhar com os meus amiguinhos bloguistas, um poema de um grande Senhor, o qual aprecio muito a sua obra e que é uma grande referência para mim.
"Rotação"
"É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar."
Nuno Júdice, In Pedro Lembrando Inês
Não deixes cair essas gotas de gelo partido no chão.
Não percas os grãos de sal que te habitam os olhos.
Não permitas que a tua pele se molhe com tal dor em estado liquido.
Não consintas que os teus olhos se afoguem na culpa que te molha.
Não chores!

Sempre que a saudade aparece, unimos pensamentos... Pontes que atravesso até chegar a ti!
Como sempre olhei para trás. Mas dessa vez algo mudara. Tu não estavas lá como sempre estiveras. Nos meus olhos pesou, então, a imagem da tua ausência e lá continuei a minha caminhada.
Já lá vai algum tempo mas, ainda hoje, vou olhando, de vez em quando, para trás. Ainda hoje a imagem da tua ausência pesa nos meus olhos como sacos de água rotos. Mas lá vou caminhando a passos curtos e cuidadosos para não tropeçar sempre que olho para trás.
Um dia sei que vou deixar de sentir a tua falta. Vou ganhar um novo peso nos olhos que me permita olhar em frente. Vou ganhar um novo fôlego que me ajude a transformar os passos curtos em passos longos, sem medo de tropeçar se olhar para trás e não te vir!
Como podem ver, a imagem já aparece! Isto tudo graças à Marta, a quem eu agradeço publicamente! O meu muito obrigado Marta! Foste uma ajuda preciosa! Já agora visitem o blog da Marta, que tem como nome "my heart is by your side" e fica na seguinte morada http://lostwings.blogs.sapo.pt
Alguém consegue ver a imagem do blog? Uma foto por cima do nome do blog? Eu consigo vê-la porque a imagem está no meu computador, mas ao que parece quem visita o blog não a consegue ver... Alguém sabe como resolvo a situação?!
Não sei. Não quero. Mas, espero e desespero... Não sei se fico, se vou. Se vivo, se choro, se corro, se morro. Não sei!
Não sei se te quero, se te amo, se te odeio... Não sei se a saudade veio por ti ou por mim. Se és tu que a sentes, ou mentes. Se sou eu que a sinto e sofro assim. Não sei!
Não sei se te chamo. Eu quero. Mas sento-me e espero. Não sei se te penso, se te esqueço... Se não sou digno de ti ou se te mereço. Não sei!
Não sei se sou um louco ou se és tu que me amas pouco... Se durmo e sonho ou se acordo sem nada... Se empunho a espada e enfrento o dragão... Se a espeto em mim ou no teu coração. Simplesmente não sei!
Ontem ao fim da tarde e durante esta noite toda, o Sapo esteve novamente com os problemas de sempre. Enviei outro e-mail a demonstrar o meu total desagrado com a situação. Tal como da outra vez, vou ficar sem uma resposta ou sem um pedido de desculpas. Sim, porque nem um pedido de desculpas dão aos utilizadores! Hoje tive de madrugar para actualizar o blog. Sei que se tentar logo, não vai dar...
Esperam-se dias melhores!
Pois é, meus caros visitantes, estão todos convidados para a inauguração deste blog, agora totalmente remodelado! A festa decorrerá hoje, neste espaço!
Como podem ver, o visual mudou completamente, ficando da maneira que eu queria! Predominam o azul, que é a minha côr preferida, o branco que é uma cor neutra e não fere muito a vista. Tem ainda como imagem o "rapaz", que sou eu, claro, e que acho que está de acordo com o nome do blog! Houve também umas alterações na apresentação de alguns posts, nomeadamente no post "A Gata das Botas", que se bem se lembram o texto estava todo coladinho, sem paragrafos, o que tornava a leitura um pouco dificil. Por isso, quem não teve paciência de ler antes esse texto, já poderá fazê-lo a partir de hoje porque o problema foi totalmente resolvido. Como nem tudo é perfeito, o contador de visitas não aparece... mas estou tão satisfeito com o resto do blog que nem me vou preocupar ou irritar com esse pormenor insignificante.
Espero que tenham gostado do novo visual (Por favor digam bem!!! Isto deu-me uma trabalheira...) e que deixem o vosso cometário. A gerência agradece!
Jinhos/ Abraços, para todos!
Como já devem ter reparado, a casa anda em obras! Depois de várias tentativas lá criei um blog à parte para testar as minhas experiências. Tanto tentei que, as tais experiências, começaram a correr bem! Eu não percebia nada disto, mas quando meto uma coisa na cabeça, não sossego enquanto não esclareço e descubro tudo! Por isso, queiram-me desculpar as paredes no chão, o pó no ar, o cheiro a tinta fresca, mas em breve tudo estará nas perfeitas condições! Não se esqueçam de usar capacete... não vá cair qualquer coisa em cima das vossas cabeças e depois tenho de vos levar ao hospital :p
Sabem aquelas pessoas que aparecem por acaso nas nossas vidas? Aquelas pessoas que em tão pouco tempo são capazes de nos fazer sorrir só por sabermos que elas existem?! Aquelas pessoas que em tão pouco tempo parece que já nos conhecem há uma eternidade?!
Este post é para uma dessas pessoas. Uma pessoa que nunca me viu. Uma pessoa que nunca vi. Mas uma pessoa que já ganhou espaço na minha vida. Uma pessoa que me fez ver mais além e que me fez ter esperança de novo... esperança de que nem todas as pessoas são más. Uma vez, não faz muito tempo, essa pessoa disse-me que ao ler o "Cântico Negro" de José Régio, o poema que vou trasncrever mais à frente, se lembrava de mim. E que ao ler os meus textos lhe vinha sempre o mesmo poema à cabeça... Pois é, esse poema descreve-me perfeitamente. Mesmo essa pessoa não me conhecendo pessoalmente e não me conhecendo há muito tempo, foi capaz de reparar em coisas que pessoas que me acompanham desde sempre nunca vão reparar...
"O Cântico Negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
José Régio
Pois é... este sou eu! Eu sou assim!
A essa pessoa, o meu muito obrigado... És muito especial para mim e sabes muito bem que é a ti que me refiro! Obrigado por teres aparecido e pela tua atenção! Obrigado por existires! Obrigado por seres assim! Come what may, come what may...
Como todos devem ter reparado o sapo piora de dia para dia! Ontem foi sem dúvida o dia mais crítico! Não me apareciam os posts no blog e não dava para actualizar blog porque dava sempre erro! Alem de que não dava para comentar os artigos nos blogs visitados nem sequer ler os que já lá estavam!
Desesperei e mandei um e-mail para a formiguinha atómica http://formiguinha.blogs.sapo.pt ,porque já ouvi falar dos seus "dotes" no mundo dos blogs. Recebi a resposta e vi que o mal era geral.
Resolvi então enviar um e-mail nada simpático, mas muito educado, ao nosso querido Sapo, a demonstrar o meu descontentamento pelo péssimo serviço desempenhado por eles no que respeita à manutenção dos blogs! Acho que todos deveríamos fazer isto sempre que situações como as que acontecem rotineiramente acontecem.
Como se não bastasse perdi o post anterior, mas como sou inteligente guardo sempre as cópias do que escrevo aqui, e lá o reeditei. Fiquei sem os comentários mas como que por magia consegui recuperar dois e copiá-los.
Fiquei fulo, irritado e stressado!!! E não pude actualizar o blog! Mas que raiva!
A inspiração nasce do momento
em que te penso e bebo
as tuas memórias, de um copo
fino, com pé, cheio.
Bebo-te até ao fim
sem medo da embriaguez.
Bebo-te à exaustão
sem tremuras na mão.
E quando a tua garrafa acaba
a inspiração pára até que uma
nova garrafa tua se abra.
E então eu penso-te,
eu bebo-te,
eu quero-te,
e eu amo-te.
P.S.: No post anterior descrevi o amor de uma forma muito crua e cruel... Mas o amor também pode ser belo. Por isso hoje resolvi pintá-lo com outras cores.
De coração murcho e alma anestesiada tropeço nesta vida magra, cinzenta, perdida, mergulhada no nada e nesta tristeza que me afoga em lágrimas e me eleva ao expoente da solidão. Vida sem sentido nem ideais. Vida amarga, com estradas cortadas, labirintos fechados e grades que me aprisionam à tua inevitável ausência.
Tu, Joana, que foste o meu primeiro e grande amor, levaste contigo a fórmula secreta cuja reacção transformava o meu mundo num local agradável de se viver. Levaste a chave que abria o meu coração, partiste a alavanca que accionava o meu sorriso, bebeste a fonte toda da minha alegria, enterraste a minha vida e foste embora abanando a cabeça e agitando os teus cabelos ondulados que soltaram pela última vez o brilho que outrora foi meu.
Chegaste e instalaste-te no meu coração sem pedir licença. Fizeste-me acreditar que o amor afinal era real e não existia só nos livros, nos filmes e nas telenovelas. Ensinaste-me a entender o que cada olhar pode dizer quando reinamos num mundo de silêncio. Aprendi a decifrar a linguagem das mãos, do teu corpo, do teu cabelo. Fizeste de mim um alquimista nesta magia à qual chamam amor.
Levei-te a ver o mar, ofereci-te todos os dias um céu. Apresentei-te a amiga lua. Depositei em ti todos os meus sonhos, esperanças, projectos, receios, e não mais os devolveste… Levaste-os contigo, como sendo teus de direito, e deixaste-me aqui, vazio, apenas com este coração murcho, que agora só serve para os batimentos cardíacos que ainda me mantêm vivo... porque afinal ninguém morre de amor… Porque afinal, o amor nem deve existir e tu enganaste-me como se engana uma criancinha, mas em vez de me dares doces o doce eras tu.
Tu, Joana, por quem eu era capaz de dar a vida só para te ver sorrir, acabaste com tudo o que um mortal precisa para ser feliz. Dei a minha vida para ver o teu sorriso e tu levaste-a contigo.
Não mais acredito nesta porra a que chamam amor, não mais acredito em meninas com sorrisos bonitos nem com cabelos ondulados que soltam brilho. Não voltarei a ver o mar e recuso-me a dizer adeus à lua. Não vou mais contar estrelas nem perseguir pássaros e borboletas. Desisto de colher flores naquele sítio que era só nosso e que agora passou a ser só meu… Mas agora eu já não sei ser só eu.
Sabes Joana, eu amava-te mesmo. Nunca te menti quando dizia que queria casar contigo e viver numa casinha colorida rodeada de jardins de todas as cores e tamanhos. Porque foste embora? Serias alérgica ás flores?!... Desisto também de arranjar respostas para justificar a tua partida. Foste embora e a realidade é esta. Não voltes mais… Sei que não é preciso pedir para não voltares mas ao menos conforta-me saber que eu não quero que voltes.
O meu mal Joana, foi ter aberto a minha vida como uma janela e ter deixado entrar as moscas.
P.S. (para quem teve paciência de ler este texto até ao fim): A Joana não existe e este não sou eu...
Devias mandar matar tudo o que dói…
Talvez assim eu fosse feliz e conseguisse deixar de correr nesta busca absurda de sofrimento e de dor.
Sim, mata a dor…
Assim talvez eu também morra e encontre a paz que me falta, lá no Teu céu, habitado por anjos e por Ti…
Mas eu não te creio, ó Deus!
Afinal, és Deus do quê? De quem?
Deus deste mundo de gente hipócrita?
Deus de gente egoísta?
Deus de crianças que morrem à fome?
Deus de injustiças? Deus das guerras?
Do sofrimento? Da doença? Da morte?
Onde estão os teus poderes?
Não és Tu que podes tudo?
Devias mandar cortar estas cordas de melancolia que me prendem desde que descobri que não existes.
Ou então devias fazer-me acreditar na Tua existência.
Onde estás quando Te preciso?
Maroto, estás a ver televisão!
Devias escrever um comunicado ao mundo e dizer que não existes.
Tudo é mais real do que Tu.
Não o podes negar!
A dor existe. Eu sinto-a!
A Ti não Te sinto.
Sinto estas cordas que me amarram à melancolia e me fazem prisioneiro deste Teu mundo controlado pelo Teu tempo.
As cordas da melancolia existem.
Eu sinto-as!
A Ti não Te sinto…
Anda meio mundo à procura da outra metade e ninguém se encontra!
A noite sempre cheirou a sombras
e veste-se únicamente de escuridão.
Um dia, convidou todas as luas e estrelas
para dormirem cosidas na sua mão
e, a partir daí, nunca mais se largaram.
Tal como prometi, fiquei de vir cá contar-vos a minha aventura com a prenda...
Depois de dormir sobre o assunto, tendo em conta todas as preciosas ajudas, acordei sem ideia nenhuma! Fui para a baixa do Porto, acompanhado da minha prima, iniciar a minha a saga!
Como me foi sugerido, fui à loja do Gato Preto! Encontrei lá coisas interessantes e fiquei com algumas ideias em mente. Contudo, resolvi fazer pesquisa de mercado, e ir à caça de coisas diferentes! Ataquei então as lojas de roupa que me apareceram à frente, sem no entanto ficar satisfeito ou elucidado. Próximo passo!
Entrei em lojas de bijuterias e afins e realmente fiquei com as mãos cheias de anéis e de pulseiras e de brincos, não para oferecer, mas para ajudar a minha prima nas compras dela!
De seguida, como a minha prima queria ir comprar uns sapatos, fomos a uma sapataria! Foi então que se fez luz e encontrei a prenda ideal!!!! Vi uns sapatos que eram a cara da minha irmã e que sabia que lhe iam fazer jeito! São daqueles que parecem sapatos de bailarina ou sapatos de criança, enfim, uns que agora estão na berra! Comprei-os e fiz figas para ter acertado na compra! Acabei por gastar mais do que pretendia, mas foi por uma boa causa!
E, agora, a reacção dela:
AMOU!!!!
Nunca me passou pela cabeça oferecer calçado a alguém, mas na altura tive a certeza de que era aquilo mesmo que tinha de comprar! Fico contente por lhe ter dado uma coisa que ela tenha gostado e que lhe vai ser útil, além de todo o carinho e amor que lhe dou diariamente.
Mais uma vez agradeço a vossa ajuda! Thanks :)
Fiz um avião de papel
e ele voou.
Fiz um barco de papel
e ele navegou.
Fiz um coração de papel
e ele não bateu...
Antes de publicar o post de hoje queria agradecer as diversas sugestões de prendas que fui recebendo ao longo do dia :) Ajudaram-me a ficar mais baralhado mas também fizeram-me pensar em coisas que não tinha pensado e que são de facto uma boa escolha! Vou dormir sobre o assunto e mal compre a prenda venho cá partilhar com todos vocês o que escolhi :)
O meu sincero obrigado... Não estava à espera de tantas ajudas! Até porque esse foi o post mais comentado!!! Acho que tenho de começar a pedir mais vezes a vossa opinião, embora isso não seja preciso! Este blog não é só meu... vocês que o visitam é que lhe dão o verdadeiro significado de existência, por isso opinem SEMPRE!!!
OBRIGADO!
Não, não venho pôr aqui nenhum pensamento profundo, nem nenhuma história para rir, nem nenhum texto para pensar... Apetece-me contar-vos o meu dilema! Afinal os blogs também servem para desabafar.
Então é assim, a minha irmã amanhã faz anos, e eu como típico português que sou, deixo tudo para a última da hora, e como tal ainda não comprei a prenda! O pior é que nem sei o que lhe hei-de oferecer! Há também o facto de não poder/querer gastar muito dinheiro, uma vez que as férias deram cabo do meu orçamento e também porque vou ter de comprar outra prenda para uma amiga que fez anos no dia 6!!! Que vergonha, vejam só!! O que vale é que ela não esteve cá nesse dia, por isso tenho desculpa por ainda não lhe ter dado a prenda. E também para ela é fácil, talvez o cd mais recente dos Madredeus e ela delira (isto se alguém não teve esta brilhante ideia e se anticipou).
Agora voltando ao tema principal, o aniversário da minha irmã que é já amanhã, contínuo sem ideias!!! Talvez aproveite os saldos... hmmm... não é mau pensado! Se bem que a esta altura está tudo mais que escolhido, e ela é um bocado para o esquisita. Talvez então um livro!!! Não me parece... Ela levou-me uma dúzia deles emprestados e ainda não os leu, diz que anda preguiçosa para ler. Um perfume não pode porque são muito caros! Um cd não porque ela não liga muito a cds, prefere os que eu lhe gravo com diversas músicas que ela gosta. Coisas para a casa, ela tem tudo, acho que não lhe faz falta nada. Oh, que stress!!
DETESTO dilemas! Aceitam-se sugestões! A propósito, ela faz 27 anos!
Tosquiei a minha vida e teci as lãs sujas que me perseguiam.
Vivo agora mais leve, até que a lã volte a crescer e aqueça de novo esta sorte de carneiro.
Acordas e amas-te.
Comes a tua imagem ao pequeno-almoço.
Passeias-te pelos espelhos e montras.
Deliras com o teu cheiro.
Adoras ouvir-te.
Tens inveja de quem te pode olhar.
Invejas quem usufrui da tua companhia.
Invejas quem te beija.
Dormes com a tua fotografia.
Adormeces a pensar em ti.
Sonhas contigo.
Acordas e amas-te.
Vives à margem da tua imagem e reprimes-te ao estereótipo que esta sociedade de aparências te obriga a representar. Finges ser quem não és para poderes sobreviver,dia após dia, num mundo de leis duras onde te impingem curas para a doença que te diagnosticaram.
Tens uma doença que não existe mas que te condena ao julgamento, por pessoas auto-intituladas normais, sem qualquer possibilidade de absolvição. És condenado por amares o próximo. Não ames o próximo... Ama a próxima!
Não segues os padrões. Armas-te em diferente! Queres que te aceitem assim? Lamento. Quem te manda ser assim?! Não sabes?! Toda a gente quer saber porque és assim, mas ninguém quer entender... Continua a representar e a amar escondido.
Obrigam-te a viver à margem. Por isso isolas-te do mundo, mentindo a ti próprio e a quem te rodeia.
Não, tu não és diferente... És igual a tantos outros que vivem escondidos como tu...
Estava eu a entrar no meu blog (sim, eu também visito o meu blog! Temos de ser nós a dar o exemplo!!!), quando de repente vi o contador de visitas no sítio! Mais uma vez digo... não, eu não mexi em nada! Foi assim por artes mágicas! Será que foi por ser 6ª feira 13??? Hmmm... Ou ele quis tirar um fim-de-semana para ir contar outras coisas?! Há lá coisas...
Apetece-me falar de tudo e de nada.
De tudo, porque às vezes o nada é tão grande que me faz tropeçar e perder o rumo...
De nada, porque às vezes tudo me faz perder a crença nesses estranhos jogos que a humanidade adoptou.
Apetece-me comer silêncio e não ouvir estes gritos que ecoam dentro de mim. Ficar imóvel a ver o mundo rodar. Ficar tonto com as voltas da vida. Bater palmas aos que lutam. Chorar pelos que sofrem. Sofrer por mim... Sofrer! Sim, apetece-me sofrer... Talvez assim descubra onde se alojou a dor que me desperta a tristeza... Talvez assim eu saiba a razão pela qual sou assim.
Apetece-me desligar o sol e beber a escuridão... Talvez assim eu não veja mais ninguém... Talvez assim eu não te veja mais... Talvez assim eu não te encontre. Talvez assim venhas tu à minha procura e me faças acreditar que o amor sempre existiu, eu é que não o provei.
Apetece-me ser consumido por esta música triste que entra repetidamente nos meus ouvidos. Apetece-me ser a letra desta música e andar na tua boca... Ser cantarolado por ti. Talvez assim percebas a minha tristeza. Talvez assim chores sem motivo, como eu.
Apetece-me falar de tudo e de nada.
De tudo, porque às vezes sinto que não sou nada.
De nada, porque gostava que fosses o meu tudo.
E pronto... Tudo me corre bem! O contador de visitas deixou de aparecer sem mais nem menos! Não... eu não mexi em nada, juro!! Agora vou ter de meter outro e começar a ZEROS!!! Não é justo :( amuei!
E agora, uma pequena história feita a seguir a uma festa de aniversário em que bebi uns copitos a mais... O resultado foi este!
A mãe da Anabela quando a deu à luz, resolveu ligar para a Maya e pedir um mapa astral da filha. A senhora era muito devota da Maya, que nesta altura ainda não aparecia no Sic 10 horas, porque ainda não existia esse programa, porque ainda não existia a sic, e porque ainda não existia sequer televisão a preto e branco, quanto mais a cores! Acontece que a Maya era vizinha dos pais da Anabela e tinha uma pequena barraquinha onde dava as suas consultas. O mapa foi feito e a Maya foi convidada para ser madrinha da pequena Anabela. Contudo, depois de o mapa estar feito, Maya pediu que o mesmo só fosse aberto quando Anabela fizesse 6 anos. E foi assim que aconteceu...
Anabela fez 6 anos e então o pai, a mãe e a Maya, abriram o secreto envelope que ia revelar o futuro da miúda. O futuro era animador mas tinha um aviso... Anabela não podia tocar em nenhuma garrafa de vodka porque corria o risco de se cortar e adormecer para sempre... ou seja... ir desta para melhor. O pai preocupadissimo, deitou fora todas as garrafas de Vodka e sempre que iam a alguma festa todos os cuidados eram tomados afim de Anabela não se cortar em nenhuma garrafa. Nunca contaram o segredo à Anabela para ela não sofrer com tamanha maldição no seu destino.
O tempo foi passando e Anabela à medida que ia crescendo foi-se tornando numa bebedolas do caraças. Aos 18 anos resolveu dar uma festa na quinta que a sua madrinha Maya lhe disponibilizou para o efeito, e convidou todos os seus amigos. Cada um ficou incumbido de levar algo para tornar a festa mais animada. Houve um amigo porreiro que se lembrou de levar Vodka. Anabela que adorava Vodka tomou logo conta da garrafa e deu cabo dela em 5 minutos. De tão bêbeda que ficou, deixou cair a garrafa, que se partiu! Tentou apanhar os cacos mas ao baixar-se para os apanhar não se aguentou em pé e desmaiou! Entrou tudo em pânico... Mas um amigo, ainda mais bêbedo que ela, teve uma ideia!!!
- Saiam da frente! Eu vi isto num filme... A gaja estava a dormir e veio um principe, deu-lhe um beijo e ela acordou!
Então ele pôs mão à obra... Ou melhor, boca ao serviço! Deu-lhe um beijo e para espanto de todos ela acordou, vomitou tudo e foi para o Hospital levar pontos não mão que estava toda cortada por ela ter caído em cima dos cacos. De tão bêbeda que estava, antes de ir levar pontos resolveu passar por uma igreja dessas que realizam casamentos a qualquer hora (A própria Britney casou numa dessas igrejas, inspirada nesta história) e casou com o seu príncipe. Não se pode é dizer que viveram felizes para sempre...
Hoje em dia estão os dois (Anabela e o "príncipe") internados numa clinica de recuperação para alcolatras... Enquanto isso a Maya ganhou fama graças à desgraça da Anabela e até já escreve horóscopos em sites da internet.
Lavei esta minha sede nas águas da tua existência e, a partir daí, nunca mais quis outro néctar.
Como é do conhecimento de toda a gente o Verão fez as malas e fugiu...
Mas para onde terá ido ele?
Será que também resolveu ir de férias? Mas logo no mês em que é suposto ele estar a trabalhar?! Hmmm... Vamos desconfiar...
O que eu acho é que ele merece levar com um processo disciplinar em cima, por estar a faltar ao trabalho e ainda por cima por dar faltas injustificadas! Não é justo o desgraçado do Outono ter de pegar mais cedo ao serviço! Não, não e não! Não pode haver perdão para o Verão!
Quem tiver ideias para castigar o Verão que me diga qualquer coisa... Isto assim é que não pode continuar... Mas que rebaldaria!
Quero aqui deixar expresso o meu significado sobre a pequena palavra Pai! Fui ver em vários dicionários mas nenhum expressava a minha realidade... De modo que eu próprio reflecti e encontrei dentro de mim esta definição.
Pai é aquele que engravida a mãe e depois não se interessa pelo filho. Pai é aquela figura seca e grotesca que intimida e impõe medo.. Pai é aquele que bate na mãe quando lhe apetece e insulta quando se lembra. Pai é aquele que bate no filho. "Pai é mau", pensava eu em pequeno, e à medida que fui crescendo, as proporções do mau ganharam dimensões ainda maiores.
Pai é quele que vai para a cama com a vizinha. Pai é aquele que não leva a mãe a passear. O pai faz a mãe chorar. Pai é fraco e covarde e põe a mãe na rua. Pai também põe o filho na rua. Pai não vai às reuniões nem festas da escola. Pai é aquele que não conhece nada sobre o filho... não sabe coisas tão simples como o animal preferido, música preferida, cantora preferida, escritora preferida, livro preferido. Pai não sabe que o filho adora poesia. Pai não sabe que o filho encontra o significado da vida entre as folhas de papel. Pai desconhece que o filho sonha em ser escritor. Pai nunca viu o filho a representar. Pai não conhece amigos do filho. Pai não pergunta como correu o dia. Pai não sabe que o filho sofre e chora. Pai é apenas uma palavra, nada mais...
Esta é a minha definição de pai, ainda que muito resumida, pois podia estar aqui a noite toda e ia ter sempre coisas para complementar este meu discurso. Talvez por isso eu não queira ser pai... Não quero ser alguém tão fraco e odioso. Detesto a palavra pai...
Sempre que anoitece e o desejo desce sobre nós, cubro o teu corpo com o meu, unindo assim as peças que Deus criou.
Hoje arranquei o sabor à alma e fiz dele xarope de vida. Tomei-o na esperança vã de voltar a viver e nada aconteceu. Será que errei a receita?
Ora bem! Hoje apetece-me contar-vos um conto já vosso conhecido, mas com umas ligeiras alterações, que encontrei por acaso num dos cadernos que anda sempre comigo para trás e para a frente, onde escrevo e aponto tudo e mais alguma coisa! Tentei adaptar a história aos dias actuais e mais de acordo com a realidade deste mundo que não é redondo, e o resultado foi este! (Qualquer semelhança entre esta história e a Gata Borralheira, foi propositada!).
"A GATA DAS BOTAS"
Era uma vez, há bem pouco tempo, ali para o lado de Cascais, uma jovem de 24 anos a quem todos chamavam a gata das botas! Tinha este nome porque era sabido nas redondezas que esta jovem era doida por botas e tinha uma enorme colecção delas. A gata das botas, que na verdade se chamava Cindy Serenela, mas que para os amigos era Cinderela, vivia com a madrasta e com as duas filhas da mesma. Mas se pensam que elas se davam super mal e que tinham um ódio de morte umas pelas outras, enganam-se!
Eram quatro mulheres unidas, que trabalhavam ao litro para poderem ter uma vida confortável, como tal precisavam umas das outras. Certo dia receberam um e-mail a anunciar uma festa VIP importantíssima em que iam estar presentes diversas personalidades importantes, outras nem tanto, deste país. Era a oportunidade que a Cinderela ansiava. Quem sabe não seria desta que ela conhecia o tal homem rico que lhe tirasse o pé do buraco?! A madrasta e as filhas riram-se dela e recusaram de imediato a ideia de irem à tal festa. Mas a Cindy Serenela, não! Só não sabia como... Uma vez que tinha gasto todas as suas economias na última campanha de saldos do El Corte Inglês.
Depois de muito pensar chegou à conclusão que a única solução era ir à telelista procurar uma fada. E foi o que prontamente fez, uma vez que a festa começava não tardava muito. Passados escassos minutos tocaram à campainha e Cindy Serenela correu para abrir a porta na esperança de ser a fada madrinha que tinha contratado. - Desculpe... mas o que é que faz aqui a Ministras das Finanças mascarada de fada a estas horas? A senhora não devia estar em casa, a inventar novos planos de ataque, para pôr o país ainda mais fundo no buraco em que ele se encontra? Eu liguei para a telelista a pedir uma fada madrinha, não uma fada má!
- Cale-se e poupe-me das suas piadas! Acha-me com cara de andar mascarada? Além disso o Carnaval já lá vai e estas fatiotas são caras! Isto é farda de trabalho! Eu agora sou fada madrinha a part-time. Ah pois! Além de ganhar mais uns trocos, é menos um emprego no mercado!
A Cindy Serenela estava estupefacta, tentando conter o riso, que por vezes se escapava numa gargalhada ou outra.
- E também já concorri ao lugar de fada dos dentes e de coelho da Páscoa.- retorquiu a Ministra.
- E não havia um lugar de bruxa? - Perguntou a Cindy, não aguentando o riso.
- Por acaso não... Mas quando houver, eu aviso a Lili Caneças! Desataram as duas às gargalhadas. Cindy estava surpreendida... a ministra até tinha algum sentido de humor!
- Bem, vamos então ao que interessa! Chamei-a aqui porque preciso de um vestido, umas botas, e uma viatura para ir a uma festa importantissima que começa daqui a minutos! Podemos começar pelo vestido... quero um da nova colecção da Fátima Lopes, será que pode ser? - pediu a Cindy Serenela a medo, uma vez que não conhecia os serviços da Ministra como fada. Temia que fosse tão boa fada como boa ministra!
- Fátima Lopes? A menina endoideceu? Pensa que vai aonde? A menina vai a uma festa num Hotel, não a uma orgia num Motel, percebeu?! Vai levar um vestido das promoções da Zara. Além de ir mais tapadinha, fica mais barato e assim dá para os sapatos de cristal!
- Sapatos de cristal??? Dahhh!!! Mas isso usou a Cinderela há uns anos atrás! Estão completamente fora de moda! Quero umas botas!
- Ó minha jovem, botas com um vestido lindissimo destes? Deixa-te de tretas... Vais levar uns sapatinhos da Charles, que assim posso ir pagando às prestações e fico com o resto deste orçamento para mim.
"Mas que raio! Tinha de me calhar a mim esta aprendiza de fada!", pensou a Cindy Serenela. - Pronto, só me falta a Limusina! A Ministra estendeu-lhe o braço, abriu a mão, onde se podiam ver dois cartões. Cindy ainda pensou que eram dois cartões de crédito para gastar no quisesse, mas depressa viu que isso era bom demais!
- Toma, é bilhete para ires de metro e a senha para voltares de autocarro. E atenção que a senha é de 10 viagens! Marcas uma e quero resto, que ainda dá para outros clientes!
- Não acredito nisto!!! Além de não me dar o vestido que eu quero, nem as botas, vou ter de ir e vir de transportes públicos? Não posso ao menos chamar um táxi?!
- Já estás a pedir de mais! Táxi a estas horas? Ainda para mais com a taxa nocturna? Fica um dinheirão... Mas pronto, vais de táxi e voltas de autocarro, e não se negoceia mais nada! Só mais uma coisa... não te esqueças que tens de te pirar lá antes da meia-noite! Se não voltares és castigada! E atenção ao sapato que deixas lá ficar! Tem de ser o esquerdo! Assim, vendo o sapato direito à minha vizinha que só tem um pé, e é precisamente o direito!
"Até para fada o raio da Ministra é forreta. Deviam despedi-la das duas funções!" - pensou, um pouco irritada, a Cindy. A Ministra foi-se embora relembrando vezes sem conta que a senha era de 10 viagens e que o sapato que a Cindy tinha de deixar na festa era o esquerdo. A Cindy por sua vez apanhou um táxi e lá foi para a festa.
Quando lá chegou aquilo estava cheio de gente finíssima, bem vestida, e podia ouvir os comentários sobre o seu vestido. "Ao menos dei nas vistas, mesmo sem as minhas botas" - pensou. Foi passeando pela festa quando viu a sua madrasta com as filhas. Não foi ter com elas e ficou muito chateada pelo facto de elas terem mentido ao dizer que não iam. Estava entretida a tentar entender o porquê de elas lhe terem mentido quando, nisto, viu aquele famoso apresentador de televisão, o Rui Unas. Atirou-se a ele e dançaram toda a noite até que começaram a soar as doze badaladas. A Cindy correu até às escadas rolantes pelas quais desceu, olhou para trás e viu o Rui lá em cima prestes a descer as escadas para vir atrás dela.
- Não desças, espera!- disse-lhe enquanto tirava o sapato. Tentou por várias vezes atirar-lhe o sapato, mas o sapato nunca chegava lá acima. Foi então que teve a brilhante ideia de o mandar pela escada rolante que subia! Ideia de mestre, digam lá?! - Procura-me, algures em Cascais! E com esta frase veio embora, para a paragem do autocarro.
Quando chegou a casa, a fada madrinha estava à espera, da senha, do vestido e do sapato. Passou mais de 1 mês, desde o baile, e o príncipe encantado ainda não tinha ido à procura de Cindy Serenela. Também, diga-se de passagem que ela foi burrinha... Cascais não é propriamente uma aldeia!!!
Desde o baile que a Cindy nunca mais perdoou a madrasta e as filhas. Pensa mesmo em mudar-se e ir viver sozinha com a sua colecção de botas. Enquanto isso não acontece, Cindy Serenela vai vivendo o dia a dia, comprando botas e à espera que o Rui venha para que a história possa terminar com a frase habitual:
"Tiveram muitos filhos e viveram felizes para sempre!"
E lá vai ela, exibindo as suas rastas. São rastas loiras. “É a moda!”, pensa a pequena! Mas porque fez ela rastas? Uma pequena tão bonita…
Parece que andou a esfregar tachos com a cabeça. Parece que andou a varrer ruas com a cabeça. Parece que andou a passar o Via Catarina a pano com a cabeça. Mas ela não se importa! Ela gosta do ar descuidado que transmite. Ela gosta da sua cabeça e tem orgulho no seu penteado.
Não que eu tenha alguma coisa contra, afinal cada um sabe de si e é livre de fazer o que lhe der na telha, mas que acho esse look pouco agradável, lá isso acho! Dá a sensação, que não lava a cabeça desde que levou com água benta na moleirinha, no dia do baptizado! Aquele cabelo já nem deve saber o que é água! Deve só conhecer a água da chuva… Coitados dos pingos da chuva! Coitadinhos deles, que caem naquela cabeça e em vez de encontrarem um terreno suave e macio para a aterragem, morrem com o impacto naquela superfície de material desconhecido. Coitadinhos… Partem os ossinhos todos a bater naquele cabelo!
Aquele cabelo já não deve saber sequer o que é um champô e desconhece certamente também a escova ou o pente! Mas também coitado do pente que se atrever a tentar fazer milagres naquele cabelo… O pente que tiver esse atrevimento, fica logo desdentado e consequentemente fica na lista de espera para uma prótese dentária!
Menina das rastas, egoísta! Não pensa em ninguém! Não pensa na chuva, nem no pente. E claro que não pensa em mim e no mal que me faz! Ela não imagina a aflição que me dá quando olho para aquele cabelo… Faz-me mal aos olhos! Grrr… Que imagem terrorífica!
Afinal aquilo no cabelo são nós ou são afinal o quê? Possivelmente são chocas! Não me atrevo a tocar nele para tirar a prova. O mais possível é que fique lá com os dedos presos e depois os tenha que cortar!
Mas a menina das rastas continua contente. Gosta muito de dar nas vistas! És linda… Se fosse eu a ti concorria à Miss Cabelo Pantene!
Já não tem solução, a menina das rastas! Ela gosta daquilo! E a pequena deve ser protectora dos animais! Devem ser só espécies desconhecidas naquela cabeça…
Um dia destes, a menina das rastas, encontra um rapaz das rastas, rançoso como ela, e casam-se os dois! Que maravilha! A pequena nem vai precisar de ganchos para prender o véu ao cabelo! Aquele cabelo serve de arame e segura tudo!!!
Bem… E um dia, o casal Sr. e Sra. Rastas, tem filhos! Será que eles terão a triste sorte de passarem a infância com a triste sina das rastas? Coitados! Já não vai bastar a vergonha de terem uns pais naquelas figuras… Certamente os miúdos, descendentes da menina das rastas, não terão outra opção senão viverem desde cedo com o penteado que vai ser herança de família e vai passar de geração em geração como maldição! Não! Tirem-me deste filme! Menina das rastas, por favor, não tortures os teus miúdos! Não os obrigues a carregar a triste sina das rastas! Deixa-os ter um ar limpo e normal! Oferece-lhes Champôs no aniversário! Lava-lhes a cabeça sempre que se portarem mal!
E a menina das rastas continua contente no seu desfile pelo shopping.
Sempre me disseram que o mundo era redondo. Cresci a ouvir que o mundo era redondo. Fui para a escola e ensinaram-me que o mundo era redondo. Vi na televisão que o mundo era redondo. Li livros que falavam do mundo redondo.
"O mundo é mesmo redondo", conformei-me!
Até ao dia em que me apeteceu questionar novamente a forma deste mundo torto e desalinhado.
"A terra é redonda, isso é certo e sabido! Mas o mundo será o mesmo que a Terra?! Não! A Terra faz parte do mundo! Mas que raio!", pensei.
Não satisfeito com tal pansamento, voltei a repensar. "Mas que forma terá o mundo?", perguntei sem obter resposta. "O mundo é o sítio onde tu vives" respondeu qualquer coisa dentro de mim, sem eu ter perguntado.
O mundo em que vivo?! Eu vivo num mundo de pessoas sem tempo para viver e sem tempo para pensarem qual a forma do mundo! Pois bem, criei mais um blog! Só posso saber a forma do mundo se o compreender, coisa que não consigo!
Por isso quero partilhar contigo, a história do teu vizinho da frente. A história da tua prima. A história da professora. A história da peixeira! A tua história! E, claro, a minha história!