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Também eu

autoria de Bruno C. da Cruz, em 30.01.05

São altas horas da noite,

todos dormem excepto eu
que penso em ti.
O dia nasce, tudo acorda,
menos eu que não dormi.
As pessoas correm atarefadas
e tropeçam nas suas vidas,
choram, sofrem e gritam...
também eu que penso em ti.

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publicado às 16:48

Um domingo em Nova Iorque

autoria de Bruno C. da Cruz, em 24.01.05

 

Hoje lembrei-me que podiamos fingir que é domingo e ficar na cama até tarde! Até o teu patrão te ligar e a minha chefe me despedir... Pode ser que eles não liguem e possamos fingir que é Verão! Assim está bom tempo para fazermos um piquenique no Central Garden! Sim, imaginamos também que estamos em Nova Iorque! Eu sei que tens pavor de andar de avião, mas imagina que fomos num cruzeiro de luxo! Podemos andar de táxi amarelo, subir a um arranha acéus, organizar uma manifestação contra o Bush! Imaginamos também que adoramos fast food e compramos Big Macs para comermos no piquenique. Dançamos um tango na 5ª Avenida, no meio do trânsito, das luzes, da confusão. Imaginamos depois que vamos para o nosso quarto num hotel de 5 estrelas e que passamos a noite a imaginar que estavamos em casa a fingir que era domingo e que estavamos em Nova Iorque! Imaginemos então!

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publicado às 02:31

Tradução

autoria de Bruno C. da Cruz, em 18.01.05

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</strong>Thalma de Freitas - Cordeiro de Nanã

Aliado à solidão,
traduzo a minha alma
nesta linguagem que apenas
os poetas conhecem,
e transcrevo para estas folhas,
as noites em branco
que pinto a pensar em ti.

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publicado às 19:36

Crónica de um louco sentimental - O amor é canibal

autoria de Bruno C. da Cruz, em 15.01.05

 

Se me queres comer come-me de uma vez. Não te fiques pela metade. Sem metade eu não sou nem tão pouco me dou. Não me transformes em restos. Come-me com vontade, assim a frio, mesmo que eu não saiba se choro ou se rio. Espeta-me as tuas garras e devora-me sem piedade, não temas pela saudade, estarei dentro de ti. Roi o mais duro de mim e saboreia as minhas fraquezas, engole alegrias fracassos e tristezas. Bebe-me o sangue, o olhar, o pensamento, o riso, o juízo, o ser, o estar, o querer amar. Rasga a minha pele com os teus dentes, mesmo que o sal não esteja a gosto. Come-me o desgosto que é querer e não ter a quem me dar, agora que me tens e me dou ao teu paladar. Trinca-me as mãos que escrevem coisas que eu não percebo e que recebo do além vindas de não sei quem. Se me queres comer, come-me depressa, antes que o arrependimento chegue, fale e aconteça. Come-me.

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publicado às 21:15

O cheiro dos lençois

autoria de Bruno C. da Cruz, em 13.01.05

Vou-me transformar em odor e esconder-me em casa dele, talvez no quarto! Melhor! Vou-me esconder na cama, no meio dos lençois! Vou ficar lá perdida ate ele me encontrar. Ele vai abrir a porta. Vai tirar o casaco e atirá-lo para cima do sofá preto. Põe Both sides now da Joni Mitchell a tocar, enquanto bebe a àgua gelada que tinha ido buscar ao frigorífico. Lembra-se de mim enquanto canta e é então que vem à minha procura. Deambula pela casa à procura de uma recordação minha que sabe que não vai encontrar nas muitas fotografias espalhadas pela casa. Pára na sala e suspira. O suspiro tranforma-se em grito O grito chama pelo meu nome. Ele sabe que eu não vou ouvir e atira o copo contra a parede. O copo parte-se em pedaços mudos, abafados pela música que se repete pela 3ª vez. Caminha de olhos humidos até ao quarto e deixa-se cair na cama, onde me encontra perdida no cheiro dos lençois.

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publicado às 03:30

Crónica de um louco sentimental - Divagações de um louco

autoria de Bruno C. da Cruz, em 09.01.05

Aliado a um tempo pausado no nunca, dou as mãos à força e destruo os pequenos cacos de vidro que cravaste no meu peito enquanto eu fingia que nada me doía.

Afogo os quadros pintados de tardes tristes, em àguas de sal chorado e acabo para sempre com a vontade de chorar que me ataca os olhos cegos de ti.

Tapo marcas de pele comida pelo teu desejo, com fogo ateado no Verão que nos tocou e destruo com ele o prazer de te ter.

Rasgo palavras escritas ao vento, com tesouras de um tempo que não perdoa e deixo que com ele voe também o pensamento que me prende a ti.

Limpo o caminho sujo de noites de prazer carnal, com as mãos que te guiavam a vida e limpo com elas a vida que em tempos nos pertenceu.

Afasto suspiros que guardaste no meu ouvido, com músicas que não te pintam no som e esqueço de vez o sabor da tua voz.

Arranco as costuras ao coração, com as unhas que te arranharam a carne e perco pelo chão os sentimentos que nele guardei.

Piso tudo sem olhar para trás e atiro a minha vida às esperanças vivas do caminho que hoje construo sozinho.

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publicado às 00:28

Palavras Loucas

autoria de Bruno C. da Cruz, em 05.01.05

É complicado não saber o que se escrever e sentir que as palavras querem, mesmo assim, sair cá para fora. 

Parecem loucas!
Atrapalham-me o pensamento e pensam por si só. Comem-me as ideias e passam a ter vontade própria, obrigando-me assim a ser mero intermediário entre elas e o papel.
Recorro a várias tentativas para impor respeito e ordem na minha cabeça, mas é inútil, as palavras não me obedecem e correm apenas num só sentido, em direcção a ti!
Parecem loucas!

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publicado às 01:24

Sobras

autoria de Bruno C. da Cruz, em 03.01.05

 

Imploro para comer as sobras da tua atenção e acabo sempre por morrer à fome.

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publicado às 03:09



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