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Crónica de um louco sentimental - História do guerreiro

autoria de Bruno C. da Cruz, em 26.12.06

Não foi com duas tretas que me deixaste entrar na tua vida. Tive de batalhar, e como bom guerreiro que sou, não desisti enquanto não derrubei uma pedra do muro que te cerca, para poder passar e chegar até ti. Mesmo assim derrubando uma pedra a passagem estava protegida por espinhos. Piquei-me. Sangrei. Às vezes ainda doi. Às vezes ainda há um espinho ou outro que se crava na minha pele e me rasga um ou outro pedaço de lucidez. Mas como guerreiro que sou, aguento a dor.

 

Passando os espinhos, veio o rio. Esse teu rio cheio de mágoa, descrença na vida, sofrimento, lembranças do passado ainda tão presente em ti. Aprendi a nadar contra a maré. Engoli muita água. Engoli o teu passado. Engoli tudo. Por ti engolia muito mais se isso bastasse para te agarrar ao presente e não te refugiares no passado. Por vezes perco-te no passado. Por vezes deixas-te perder no passado. Mas como guerreiro que sou, aguento o que for preciso.

 

Depois do rio pisei o campo seco. Plantei tudo o que pude. Cultivei-te amor, carinho, dedicação, até que os frutos foram nascendo, e eu comendo um a um recuperei as forças perdidas durante a batalha para chegar até ti. E tu comendo um a um foste confiando em mim. Foste derrubando o muro aos poucos para que eu não tenha de passar pelo buraco estreito. Deixaste de regar os espinhos para que eles não me piquem. Deixas sempre um barco nas margens do rio para que eu não corra o risco de me afogar. Cultivamos juntos o campo outrora seco e comemos juntos os frutos da nossa relação. E eu, como guerreiro que sou, faço o que for preciso para te ver feliz.

 

... Quem ama vive numa guerra constante. Uns não lutam o suficiente. Uns desistem a meio. Outros tornam-se guerreiros. Eu, que sou guerreiro, não desisto.

 

Eu, que sou guerreiro, amo-te!

 

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publicado às 19:34


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